Quem está buscando ficar atualizado sobre o que está sendo pensado e discutido a respeito de empreendedorismo digital, Lean Startup, Running Lean e afins, deve ter notado que a grande maioria dos materiais são em inglês e que ainda não tem muita coisa em nosso idioma nativo, o pt-br.
Na minha opinião, a tentativa de traduzir alguns termos do tecnoquês para o português as vezes confunde mais do que ajuda. Um dos termos que tenho visto gerar algum ruído é o “Bootstrap” ou “Bootstrapping“.
Ash Maurya, em seu livro Running Lean define bootstrapping da seguinte forma:
“Bootstrapping é comumente entendido como um conjunto de técnicas usadas para minimizar a quantidade de débito externo ou a necessidade de financiamento de bancos ou investidores. As pessoas geralmente confundem bootstrapping com auto-financiamento. Eu faço uma definição mais rigorosa de Bootstrapping, que é: Financiar com a receita dos clientes.”
Ou seja, a saúde financeira da Startup sendo olhada desde o início. Para que o seu modelo de negócios se prove viável, ele precisa fechar o ciclo: Entregar valor ao cliente e ser pago o suficiente para cobrir os custos da operação, de preferência com alguma margem de lucro.
Uma vez que desde o início exista um processo de venda “sustentável” as coisas começam a ficar mais fáceis, pois diminui-se o risco de ficar sem recursos durante o processo de descoberta do cliente (Customer Discovery), aumentando os prazos e possibilitando que este trabalho seja feito com a calma e a paciência necessária para se encontrar os melhores caminhos para a Startup.
Outros benefícios de se trabalhar Bootstrapped desde o início é que você aumenta o leque de aprendizado, que é (ou deveria ser) o foco inicial de toda Startup. Ao buscar uma venda você aprende, avalia e melhora os canais por onde pretende chegar aos clientes, o próprio segmento de cliente que está sendo “atacado”, o preço e principalmente se seu produto está de fato resolvendo alguma coisa para o cliente, ou seja, se vale apena construir uma solução para ele.
No futuro outros canais podem ser testados, outras fontes de receita podem aparecer e por vezes até o produto final pode ficar bem diferente, mas o caminho para chegar lá já estará calçado, afinal “boot-straps” antes dos empreendedores digitais se apossarem to termo são aquelas alças de couro que ajuda a calçar a bota (vide foto do post). Sem elas é bem mais difícil de fazer pé não entra na bota (ter capital) e caminhar descalço (sem dinheiro ou enpidado) pode ser bem mais doloroso, o que faz o caminhante (empreendedor) parar mais cedo.
Assim sendo, considero Bootstrap como um dos muitos termos intraduzíveis desta nossa área, mas que nem por isso deve ficar no campo do incompreensível. E agora, você sabe o que é Bootstrap?
Então deixe comentários, entre em contato, dê dicas, opiniões. Todos só temos a ganhar fomentando o aprendizado. Espalhe.
Boa Gê, gostei muito do texto… Parabéns.
Um abraço
Andréia Bellinati
Quando iniciamos um negócio surgem muitas dúvidas sobre o melhor caminho a seguir: aceleradoras, sócios, financiamento, correr o risco. Então é legal saber de uma possibilidade que combine o início do negócio já com faturamento.
Bacana, um dos artigos mais legais que já li sobre Bootstrap.
Legal Jean, isso me motiva a procurar escrever com mais frequencia.